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25 de Janeiro de 2022

divócio com respeito

Ingrid Ellen Dalbem Tófoli, Bacharel em Direito
há 2 meses

O DIVÓRCIO

“Mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu. Tá tudo assim, tão diferente. Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar. Que tudo era pra sempre, sem saber. Que o pra sempre, sempre acaba” Cassia Eller.

O até que a morte nos separe está cada vez mais raro. Os divórcios aumentam a cada ano e a imaturidade para lidar com o rompimento, tem gerado sentimentos como dúvidas, ansiedade, incerteza, tristeza, raiva, mágoa e depressão, dentre tantos outros, dos quais são normais. O problema está em sua não superação. O rompimento do vínculo conjugal de forma litigiosa potencializa esses sentimentos.

O divórcio é uma das causas terminativas da sociedade conjugal como aludido artigo 1.571 do Código Civil elenca, é o ato pelo qual o casal põe fim ao casamento, um conceito simplório, mas na realidade algo bem complexo. Divorciar não é tão simples pois o rompimento de um relacionamento por mais que o amor entre o casal ou de um dos cônjuges termine a angustia do fim atormenta.

Outro ponto que devemos salientar que no divórcio deve-se buscar a paz e o bem estar emocional acima de tudo, quando o acordo é pautado no diálogo e respeito as demais coisas serão resolvidas de forma natural. Ainda que a situação seja complexa e difícil é necessário ter em mente que um divórcio pacifico é um gesto de amor por si mesmo.

Ainda que as opiniões sejam diversas, quando alinhamos os interesses podemos chegar ao acordo que melhor atenda as partes envolvidas, pois aqui fecha um ciclo e se inicia outro, e torna-se impossível escrever uma história nova imbuídos de sentimentos do passado que nos causam sofrimento e dor.

Permita-se reconstruir as ruínas, permita-se recomeçar de forma consciente e pacifica. Vivenciar o novo sempre será possível!

Não deixe que sentimentos destrutivos como o abandono e a rejeição ou até mesmo traição gerem em você desejo de vingança. O luto conjugal é real e nesse momento a busca insana pelos culpados não levará a mais nada que não seja a destruição da dignidade que por sua vez leva ao processo de destruição daquele que é considerado o responsável pela separação.

Diante exposto, vale ressaltar que os filhos sofrem e não entendem o processo do divórcio, viram alvo e objeto de vingança ou até mesmo o troféu. Os pais focados na destruição do outro, alienam seus filhos gerando consequências nefastas. E todos sabemos que uma família destruída é uma sociedade em caos.

Tão logo, a necessidade de profissionais que consigam resolver os conflitos do divórcio de forma amigável com o intuito de amenizar suas consequências.

AS FASES DO DIVÓCIO

NEGAÇÃO - a pessoa não aceita o rompimento

RAIVA: perdem a dignidade, o desejo insano de destruir o outro.

BARGANHA: a ficha caiu, a pessoa entende que acabou e tenta fazer acordo para ter de volta. Nessa fase, necessário uma atenção maior, pois o que for proposto aqui poderá comprometer o futuro de ambos gerando ainda mais dores.

DEPRESSÃO: o sentimento de culpa, de fracasso que gera vergonha e constrangimento. É nesse momento que sentimos a perda. O dado da realidade. Efeito rebote, as vezes a euforia do rompimento de quem queria a liberdade pode virar a depressão quando a realidade bate a porta. A síndrome do ninho vazio.

ACEITAÇÃO: finalmente o sentimento de libertação da dor.

Mais até esse luto passar e dependendo do processo de divórcio e a forma que o mesmo foi conduzido provoca feridas profundas e muitas vezes irreparáveis para todos os membros da família – em especial as crianças e adolescentes – que acabam por se tornarem alvo e objeto de vingança. Uma das tentativas é o afastamento do genitor que se afastou do lar do convívio com seu filho.

As crianças também sofrem com o luto da parentalidade, a ausência de um dos genitores causa sofrimento e sentimento de abandono e infelizmente o que detém a guarda, movido por um espirito de vingança busca incessantemente acabar com o vinculo entre o genitor e o filho, incentivando o sentimento de orfandade psicológica. E para amenizar esse quadro a lei 12.318/2010 foi sancionada. A lei de alienação parental.

A ALIENAÇÃO PARENTAL

Conceito

A síndrome da alienação parental é um transtorno psicológico caracterizado por um conjunto de sintomas pelos quais o genitor, denominado cônjuge alienador, transforma a consciência dos filhos mediante diversas formas de estratégia com o objetivo de impedir ou destruir os laços entre genitor, denominado genitor alienado.[1]

Richard Gardner (1987) foi o pioneiro a estudar sobre o assunto nos Estados Unidos e essa teoria posteriormente foi difundida na Europa pelas contribuições de F. Poderyn (2001), trazendo uma despertamento aos estudiosos da Psicologia e do Direito, a Psicologia Jurídica, ainda pouco explorada pelos profissionais, revela a necessidade da união entre esses dois institutos para cuidar de casos familiares, pois no Direito de Família envolve emoções, aqueles que se encontram em um processo de divórcio precisam de profissionais capacitados, não apenas para solucionar os direitos legais assim estabelecidos, como também os emocionais que posteriormente quando não trabalhados nessa fase acionarão novos processos envolvendo os menores.


[1] Maria Berenice Dias

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